Assim se testa a eficácia dos pneus na travagem

A Continental apresentou um veículo para testar a travagem, em piso seco ou molhado, que tem várias particularidades: é único, 100% eléctrico, funciona sem condutor e independentemente do modelo.

Se, para muitos condutores, a capacidade de aceleração está associada ao prazer de condução, a eficácia da travagem é determinante para a segurança de todos. Daí que, no desenvolvimento de pneus, importe medir o desempenho da travagem nas mais diferentes condições, seja em piso seco ou molhado e, neste último caso, simulando até diferentes situações de derrapagem. Foi justamente para isso que a Continental concebeu o AVA, acrónimo de Analytic Vehicle AIBA, um veículo de ensaio 100% eléctrico e sem condutor, único no mundo e funcional independentemente do modelo da viatura que estará equipada com os pneumáticos a serem testados.

Graças ao AVA, a Continental diz ter “um dos métodos de teste de travagem de pneus mais avançado e preciso do mundo”, que é levado a cabo nas instalações da companhia alemã, perto de Hanôver, em Jeversen. Nesse centro de testes, com área total de 160 hectares, o veículo de ensaio que acaba de ser apresentado permite efectuar medições de “alta precisão da distância de travagem”, simulando as mais variadas condições de aderência com recurso a pisos permutáveis (cinco superfícies de estrada que podem ser trocadas hidraulicamente). Tudo isto numa “sala” climatizada, equipada com tecnologia de ponta e que integra um corredor com 350 metros de comprimento e até 30 de largura. Aí, os peritos da Continental realizam até 100 mil testes por ano.

“O nosso AVA determina a transmissão de forças entre o pneu e a superfície da estrada, enquanto vários tipos de derrapagem, os chamados “µ-slip curves”, são reproduzíveis com precisão. Com a mais moderna tecnologia, medimos todas as forças que actuam entre o pneu e a superfície da estrada durante a travagem. Podemos comparar os nossos pneus e as suas várias composições ainda mais precisamente e optimizá-los para as suas utilizações especiais”, adianta o responsável pelos testes globais de pneus na Continental, Meletis Xigakis.

Operacional no chamado “Automated Indoor Braking Analyzer (AIBA)”, o AVA é acelerado até aos 65 km/h com uma tecnologia derivada da montanha-russa, uma transmissão linear electromagnética, sendo o processo de testagem completamente automatizado. Segundo explica a Continental, este veículo de ensaio “está equipado com dois eixos accionados electricamente, que são alimentados por uma bateria de alto desempenho”, sem que a companhia alemã indique a respectiva capacidade. O binário elevado permite manter a velocidade constante, “enquanto os pneus de teste no terceiro eixo podem ser sistematicamente travados” by wire, isto é, o sinal de travagem é transferido electronicamente.

Com vendas de 11,8 mil milhões de euros em 2021, só na área de negócio dos pneus, a Continental é um dos maiores fabricantes de pneumáticos e anualmente diz cumprir 625 voltas ao mundo em testes de pneus, percorrendo “o equivalente a 25 milhões de quilómetros em centros e pistas de ensaio”.

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